Apresentações ZzZzZz

Fui ao CBSoft deste ano, realizado aqui em Salvador. Muito assunto interessante. Aliás, ler alguns artigos acadêmicos é bom para clarear as ideias e saber o que está levantando mais interesse na academia. E perceba, eu disse ler artigos é bom. Assistir palestras de acadêmicos é um porre. Vou contar a verdade. Eu nunca tinha percebido a importância de uma apresentação. Nunca tinha ligado muito para isto. A verdade é que eu assisti a várias apresentações acadêmicas e dormi em 90% delas. Pensei que o problema estava apenas em mim. Mas a vida segue. Suas ideias mudam. Ainda mais eu, uma verdadeira metamorfose ambulante (saudoso Raulzito).

Então, um belo dia, fui criticado por uma apresentação minha e me falaram em uma tal de Apresentação Zen. Resolvi dar uma chance e fui pesquisar. Li sobre o assunto e concordei. Mas, de fato, só entendi o verdadeiro significado de uma apresentação zen quando eu presenciei uma. E, pasmem, não tive 1 segundo de sono. Eu fiquei olhando para o apresentador o tempo inteiro. O cara me cativou, fez meus 45 minutos valerem a pena. Aí entendi: caceta, se eu tiro uma pessoa de sua casa para ir me ver apresentando algo, eu tenho uma grande responsabilidade. Eu preciso que minha apresentação seja agradável, interessante e CATIVANTE. Senão, que merda eu estou fazendo ali? Inflando meu ego? Tirando minha onda? Conseguindo mais duas linhas para o meu currículo? Não, eu estou ali porque as pessoas acreditam que eu tenho algo importante e interessante a dizer para elas. Pronto, a semente da Zen Presentation estava plantada em mim (aos baianos, um LÁ ELE bem grande).

No CBSoft percebi que os acadêmicos, e aqui eu vou generalizar, uma vez que o evento reunia pessoas de todos os estados e até internacionais, não dão a mínima para suas apresentações. E perceba, eu não estou falando da organização de seus slides em bullets. Isto é o de menos. Eu falo do entusiasmo dessas pessoas em fazer a apresentação, que é abaixo de zero. Salvam-se apenas os mestrandos e graduandos que aindam se esforçam para fazer bonito. Já os mestres e doutores parecem estar ali por mera obrigação. E vejam só, do meu ponto de vista, os acadêmicos deveriam ser aqueles que mais precisam de motivação e entusiamo em suas apresentações, afinal, estamos falando de ciência. São estas pessoas que deveriam descer do salto alto e se expressar verbalmente de maneira melhor, cativando as pessoas e tentando trazer adeptos à sua causa.

Já vivi isto na pele. Quando ainda buscava um mestrado, não foi apenas um, mas alguns professores mestres e/ou doutores que me “aconselharam” a ter palestras em grandes eventos. Não importava o assunto ou se eu o dominava. Nenhum deles estava preocupado se eu estava preparado para fazer uma apresentação digna para as pessoas. O importante era meu currículo. As pessoas que iriam me ouvir? Pouco importam, as duas linhas a mais no meu currículo é que era o importante. Perceba, as duas linhas a mais no currículo são importantes, mas não mais do que transmitir com clareza, lucidez e entusiasmo suas ideias.